segunda-feira, 22 de agosto de 2016

PADRE VILECI BASÍLIO VIDAL, UMA VOCAÇÃO NASCIDA EM SANTUÁRIO ECOLÓGICO

Era manhã de um domingo do ano 1970. A criança de seis anos chamada de Vileci Basílio Vidal, segundo dos quinze filhos do casal Luiz Vidal da Luz e Raimunda Xavier da Luz (falecida), sentiria neste dia o seu primeiro chamado vocacional para o sacerdócio durante uma missa presidida pelo padre Agostinho Mascarenhas, na Pedra Branca, conhecida também como Pedra Encantada, no município de Porteiras- CE.
Na verdade o primeiro contato com aquele padre causou estranhamento na criança que ficou de longe assistindo a celebração. Deixemos o próprio padre Vileci nos contar: “Vim com os meus pais para celebração na Pedra Branca e sabe que eu tive medo do padre? Fiquei lá naquela parte ligada a pedra menor e o padre celebrando aqui. Eu com receio, vendo o padre, mas de certa forma nunca tinha visto um padre todo embatinado (sorriu). Depois quando terminou a celebração, quando a gente desceu pra casa, o padre foi junto com a gente e isso despertou em mim esta vocação”, relatou padre Vileci com o olhar no horizonte, como se por um instante aquela cena estivesse acontecendo novamente, nem que fosse em um presente guardado na memória…
Pra quem pensava que aquele desejo era brincadeira de criança, o determinado Vileci mostrou o contrário. Ingressou na catequese da primeira eucaristia na comunidade do Vieira, onde seus pais moravam. Ia semanalmente receber a formação com o irmão mais velho e as demais crianças da comunidade, mas um problema surgiu: ele tinha sete anos e a paróquia só permitia que este sacramento fosse recebido aos oito. Um ano o separava do sonho de receber o Corpo e Sangue de Cristo. Como criança que já tinha plantado em seu coração a vontade de ser padre, ele chorava muito por não puder participar da mesa eucarística. A insistência foi tanta que avaliando a dedicação do futuro sacerdote no engajamento da comunidade, os catequistas decidiram permitir que ele recebesse a 1ª eucaristia, aquela que vinte e dois anos depois ele mesmo iria consagrar. Foi uma alegria sem fim.
A caminhada vocacional continuou. Ainda engajado na comunidade, Vileci se preparou para o Crisma e aos quatorze anos confirmou o seu batismo. Amadurecendo o desejo de entrega total a Deus, ingressou no Seminário Diocesano São José em fevereiro de 1982, onde recebeu a formação necessária para ser ordenado. Onze anos depois, o sonho de criança enfim foi realizado. Em 16 de janeiro de 1993 recebeu o segundo grau da ordem, o sacerdócio, tornando-se membro do clero da Diocese de Crato. Agora é o Padre Vileci Basílio Vidal. Orgulho para os familiares e amigos que o viram concretizar o grande sonho de doar-se em favor do povo e da Igreja, anunciando a esperança, que é Cristo, aos pobres e aos que não conhecem o amor de Deus.
Em um espaço de tempo de quarenta e seis anos (1970-2016), padre Vileci volta mais uma vez ao local onde nasceu sua vocação. São oitocentos metros da casa de seus pais até o local, mais ou menos quinze minutos de andança. No caminho primeiro passa por uma imagem do padre Cícero, colocada recentemente pelo poder municipal, depois por uma imagem da Imaculada Conceição de Maria, que ainda está como naquele primeiro encontro, de onde ficou observando o padre Agostinho. Parece que muita coisa não mudou por ali. “Minha vocação nasce nesse pedaço de chão”, fala emocionado o padre.
Uma pedra aos pés da enorme Pedra Branca, que mede oitenta metros, é improvisada para se fazer um altar. O padre Agostinho já não está mais na Diocese de Crato, mas o espaço não foi esquecido, pois o padre Vileci continua celebrando lá.



“Eu acredito que aqui é fonte de inspiração que nos faz voltar-se para Deus, sentir a presença de Deus e também confirmar aquilo que nós queremos como plano de vida. Quando a gente olha essa paisagem e vai definindo propostas concretas com relação ao uso da terra aqui na comunidade, também vamos definindo as vocações que tem aqui”, disse o padre Vileci com o olhar fixo para a exuberante paisagem da Chapada do Araripe, que abraça a famosa Pedra Branca.
A luta pela defesa da preservação do meio ambiente e a paixão pelo serviço junto as Comunidades Eclesiais de Base e a Pastoral da Terra fez o padre Vileci, hoje coordenador diocesano de pastoral da Diocese de Crato, realizar projetos voltados para a preservação daquele espaço como o Ecos do Caldeirão.
Com firmeza nas palavras o padre disse que quando chegou o momento de definir a sua vida e lhe perguntavam sobre isso, ele tinha a resposta na ponta da língua “quero ser padre”, e hoje com vinte três anos de sacerdócio, retornando ao Santuário Ecológico, como também é conhecido o espaço da Pedra Branca, ele afirma: “Nunca esqueci que a minha vocação está ligada as ações que foram realizadas aqui”.
Por Patrícia Silva – Diocese do Crato


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